29/07/2024
Todo começo é desafiador, especialmente ao liderar uma área de inovação, onde há várias perspectivas, expectativas e primeiras impressões a considerar. Para Otto Hernandez, Coordenador de Inovação da Alupar, um dos seus maiores desafios foi lidar com questões culturais.
No ano de 2022, Otto recebeu uma missão de um de seus diretores: desenvolver um material de benchmarking sobre inovação e, sobretudo, startups, no setor de energia. Esse desafio não apenas resultou em uma agenda de divulgação para a alta direção do Grupo, mas também na criação de uma nova área de inovação.
Um mês depois, Otto foi convidado a liderar e implementar a área de inovação na empresa. A proposta incluía unificar inovação e pesquisa e desenvolvimento sob um mesmo guarda-chuva, reconhecendo a sinergia entre ambos.
“A partir daí já foi bastante desafiador, mas ao mesmo tempo eu sempre tive um entendimento de que a maior dificuldade seria a cultura organizacional. Criar uma nova área e estabelecer essa compreensão entre as pessoas sobre o meu papel e como eu posso contribuir para outras áreas aqui dentro”.
Por isso, desde o princípio, ele se dedicou a tornar a área um suporte para todos os setores da companhia. De que forma? Agregou valor por meio da indicação de fornecedores que ofereçam serviços com redução de custo e aumento da qualidade.
Otto também se empenhou ao apoiar a gestão de projetos com uma visão mais inovadora, buscando ativamente novas soluções e reconhecendo a sinergia entre inovação e P&D como crucial para orientar os avanços dentro da área.
“O P&D é um compromisso regulatório que as concessionárias têm e uma grande oportunidade de testarmos soluções diferentes e buscarmos alternativas que nos apoiem a melhorar a operação em mercados convencionais e a entrar em mercados mais emergentes. É o que estamos trabalhando bastante dentro da empresa, a captação e a conversão de projetos de pesquisa relacionados ao que entendemos como o futuro do setor de energia”.
Sobre a busca por startups e pesquisas acadêmicas relacionadas ao setor core da Alupar, Otto avalia os melhores caminhos e o que precisa ser desenvolvido para que haja uma maior integração da inovação com o setor de energia, já pensando no futuro.
“Como disse anteriormente, no que tange a inovação, nós sempre tivemos uma sinergia estratégica muito grande com os temas que têm sido destaque no setor elétrico. E é a partir daí que nós vamos de encontro com o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento regulamentado pela ANEEL”.
O P&D ANEEL é um programa para incentivar a pesquisa e o desenvolvimento do setor elétrico do país. Nele, todas as empresas vinculadas com a autarquia devem destinar um percentual da sua receita operacional líquida. Isso, para adição de novas tecnologias e aplicação de melhorias em produtos ou processos.
“Na minha opinião, a mudança da regulamentação do programa feito pela ANEEL veio de forma muito interessante, pois estimula empresas a adiantarem esforços na ponta da cadeia de inovação. Seja com o desenvolvimento de projetos com TRLs (Technology Readiness Levels) mais altos ou com a capacidade de aplicar a verba de pesquisa e desenvolvimento em startups do setor”.
A curto prazo, Otto ainda acredita que isso irá gerar alguns bons resultados, e não somente no setor de energia: “As linhas de fomento dos programas regulados, não só da Alupar, mas das mais distintas empresas que estão inseridas nesse setor, seja na geração, transmissão ou distribuição de energia, vão gerar resultados enriquecedores. Com isso, eu acredito que estamos em um momento propício para acompanhar o que será a inovação no setor nos próximos anos”.
Além de possuir uma visão totalmente estratégica, o Grupo também participa de um ecossistema de inovação bastante estabelecido. Os resultados são positivos e a Alupar aproveita a base qualificada para acessar startups e promover a interação entre as áreas.
“Hoje, nós passamos a ter muito mais startups povoando nossos processos licitatórios ou de concorrência e, por percepção de valor, várias dessas startups vem ganhando contratos conosco. Claro, existem escalas distintas de projetos, mas a tendência comum é que todas essas empresas darão resultados: seja no aumento de governança, agilidade com relação à condução de processos ou no acesso a plataformas e ferramentas mais inovadoras”.
Dessa forma, a contratação dessas startups se integrou à cultura da organização e a Alupar segue satisfeita, observando diariamente os resultados na prática. Sobre isso, Otto complementa:
“Poder contar com o acesso às startups mais qualificadas é gratificante, mas vale dizer que dependendo do hub de inovação do qual você está inserido, a régua para as startups fazerem parte desse ambiente varia. Como estamos em um hub bastante consagrado, as startups que fazem parte dele precisam ter uma comprovação de entrega, de porte. E eu não diria que são contratações arriscadas, mas sim, que são empresas quase maduras em termos de ciclo de vida e com soluções realmente interessantes”.
Já para promover o desenvolvimento disruptivo em sua estrutura, a Alupar investe em Inovação Aberta e reconhece a importância de mecanismos que incentivam o avanço de startups de deep tech, como o investimento em P&D e a formação de novos talentos. Para Otto, esses elementos são fundamentais e podem se tornar ainda mais eficazes quando explorados de maneira colaborativa.
“A Alupar tem um ambiente propício para inovação aberta, e um ponto também é a possibilidade de que dentro do projeto não existe a exclusividade ou a limitação na participação de concessionárias do setor elétrico ou de parceiros executores. Um exemplo disso é que, hoje, é possível fazer projetos de pesquisa e desenvolvimento ou outras iniciativas de inovação com várias empresas do setor que também tenham essa obrigatoriedade, e em comum acordo, sem nenhum tipo de questão regulatória e societária. Temos várias associações ligadas à geração e transmissão de energia eólica e solar, que promovem estudos de P&D em conjunto”.
Ainda com relação às colaborações externas, ele defende e conclui:
“Nós somos consumidores de tecnologia, não produtores em massa dela, então a questão principal aqui é: se existe oportunidade dentro de um grupo de empresas que possuem uma dor em comum de fomentar uma solução que melhora a sua performance, eu vejo com bons olhos que essas iniciativas sejam feitas, até porque, algumas delas, pelo seu teor de risco podem ser difíceis de ser executadas por uma única empresa, então tem um pouco desse componente de mitigação de risco e um aumento dessa rede de inovação. E eu vejo com muitos bons olhos para o setor elétrico”.