26/06/2024
Grandes experiências levam pessoas a explorar diferentes possibilidades e almejar voos mais altos rumo à inovação e às novas tecnologias. Um exemplo inspirador é o de Patrick Teyssonneyre, ex-Diretor Global de Inovação da Braskem e atual CEO & Co-Fundador da Xinterra.
Ao compartilhar sua trajetória profissional, Patrick revelou que sua motivação para mudança foi um processo, começando com a reflexão sobre como aumentar seu impacto no mundo a partir da inovação.
“Eu trabalhei na Braskem por 18 anos e sempre adorei. Na minha época, a cultura empresarial de lá era descentralizada e favorecia o empresariamento. Todos os integrantes eram incentivados a ter uma postura de “dono”. Isso me fez ficar por tantos anos e também me incentivou a dar os próximos passos”.
Tudo começou em 2018, quando Patrick decidiu ir atrás do seu sonho de concluir mais uma certificação, só que desta vez nos EUA. Ele estava aberto a novas ideias, abordagens, aprendizados e se preparou para dar início a mais essa transição em sua carreira.
Em fevereiro de 2018, foi aprovado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT, e se mudou para Cambridge. Durante o programa, Patrick decidiu fazer uma viagem prospectiva pela Ásia e explorar as oportunidades na China, Hong Kong e Singapura, sendo este último, o lugar ideal para ele começar seu próprio negócio.
“Eu queria me conectar com as pessoas, conhecer o máximo de professores e pesquisadores com know-how específico, que estivessem desenvolvendo alguma tecnologia na área de materiais. E que também estivessem em busca de um co-founder com experiência na indústria e em negócios, para transformar essa tecnologia em uma startup”.
Patrick ainda destacou que havia uma grande quantidade de tecnologias prontas para serem monetizadas por lá, com o governo oferecendo total apoio por meio de diversos mecanismos destinados à criação de startups e à monetização dessas tecnologias.
“A oportunidade inicial em Singapura era ajudar dois co-founders de uma outra startup a levantar a primeira rodada de investimento, e logo em seguida, criar minha própria startup. E foi o que eu fiz.”
Por fim, em março de 2021, nasceu Xinterra. Uma empresa centrada em materiais que desbloqueia a inovação para acelerar e aumentar a eficiência da pesquisa e desenvolvimento de materiais. Com base em anos de experiência, a Xinterra inova em materiais que são cruciais para produtos e aplicações sustentáveis.
“Conheci em Singapura os meus co-founders, pioneiros num campo chamado Materials Informatics, que é, basicamente, utilizar a inteligência artificial para acelerar a Pesquisa e o Desenvolvimento de materiais. Esse era o problema que eu queria resolver. Foi música para meus ouvidos. Eu sabia sobre o tema, o problema e estava disposto a encontrar a solução. Em agosto de 2020, começamos a trabalhar no projeto e em março de 2021, fundamos a Xinterra”.
Ao realizar sua transição de Diretor Global na Braskem para Co-Fundador de uma startup de inovação em materiais, Patrick percebeu as diferenças entre esses dois estágios, ao mesmo tempo em que notou algumas similaridades por trabalhar no mesmo segmento por muitos anos.
“Hoje eu vejo que o que fazíamos numa grande empresa bem estabelecida é um pedacinho de tudo o que poderia ser explorado nessa área de materiais, principalmente em função do que fazemos hoje. O que a gente faz hoje está na fronteira do que é tecnológico na área de materiais, que é a combinação de inteligência artificial e a experimentação rápida para criar materiais inovadores”.
E complementa:
“Uma grande limitação na forma tradicional de se fazer pesquisa e desenvolvimento de materiais é a experimentação física em laboratório para testar os materiais e medir as propriedades. Isso limita o número de experimentos feitos e de possibilidades a serem exploradas em um único dia. Por isso, os materiais atuais, que fazem parte do nosso dia a dia, funcionam de forma subótima em termos de performance, custo e, principalmente, em termos de sustentabilidade”.
A partir deste ponto, Patrick também relatou com mais detalhes a importância da inteligência artificial para os negócios, descrevendo como as peças se encaixaram facilmente. A Xinterra acompanhou as mudanças do mercado, adotou tendências de forma proativa e continuou agregando valor ao seu crescimento.
“Foi aí que a inteligência artificial se tornou crucial para nós. Em um dos projetos que realizamos, executamos 100 milhões de experimentos virtuais em apenas 24 horas. E isso nos abriu espaço para explorar áreas antes inexploradas, devido às limitações físicas. Então, quando eu ganho a capacidade de realizar milhões, até bilhões de experimentos de maneira virtual, percebo que o que eu fazia antes era minúsculo comparado a tudo o que pode ser feito e explorado”.
Esse entendimento é essencial para que grandes empresas mantenham-se ativas e invistam em novas inteligências, mas sem que haja a necessidade de substituir diferentes categorias de trabalho por conta deste desenvolvimento tecnológico. O que nos leva de volta à inovação e a necessidade de um perfil de profissional que raramente é formado e fomentado dentro das organizações.
“Uma empresa química, por exemplo, não pode avançar sem os químicos, engenheiros e cientistas de materiais, e em breve também não conseguirá avançar sem a expertise da aplicação da inteligência artificial na P&D de materiais. Por isso, a importância de formar pessoas experts na área para continuarmos evoluindo”.
Por mais complexa, avançada ou benéfica que seja certa tecnologia, ela sempre vai partir de um problema a ser resolvido. Sobre isso, Patrick disse: “É preciso explicar que na academia podemos fazer ciência pura, mas em uma empresa, precisamos gerar negócio para resolver problemas reais. E aqui, buscamos resolver os problemas mais urgentes da humanidade”.
Assim, a Xinterra procura compreender esses desafios e criar materiais inovadores para promover a sustentabilidade ambiental do planeta. Além de acreditar que podem fazer a diferença ao enfrentar um dos maiores desafios da humanidade: o aquecimento global e as mudanças climáticas.
A sustentabilidade é o valor fundamental da Xinterra, que se dedica diariamente à criação de materiais para aplicações sustentáveis. Uma empresa motivada em ter um impacto positivo maior, utilizando estas abordagens eficazes para concretizar um “novo mundo de materiais”.
“Na Xinterra, desde o início nós temos um propósito muito claro, e essa foi uma das coisas que uniu o time de fundadores: usar o poder dessa tecnologia para resolver problemas ambientais. Hoje em dia, e pelos próximos anos, é cada vez mais possível desenvolver ferramentas do zero, com um custo competitivo e sustentável ambientalmente”.
A inovação socioambiental não apenas atrai a atenção de consumidores e investidores, mas estabelece uma base sólida para o crescimento sustentável de qualquer corporação. É nisso que a Xinterra acredita e se dedica em compartilhar com o mundo.