24/03/2025
As transições de carreira podem ser desafiadoras, mas também trazem grandes oportunidades. Para Gabriela Braitt, essa foi a chance de explorar novos caminhos, descobrir uma nova paixão e se tornar Executiva de Novos Negócios, Conectividade e Parcerias Estratégicas na Volkswagen do Brasil. Na 13ª edição do WaM Talks, Gabriela divide sua trajetória, aprendizados e nos conta como é fazer parte de uma das 150 organizações mais inovadoras do Brasil.
“Eu fiz uma transição de carreira bem oposta. Sou formada em economia e tenho 11 anos de experiência no mercado financeiro. Trabalhei por dez anos na mesma empresa e quando resolvi buscar outro movimento do mercado, recebi a proposta de ir para a Telefônica Brasil, em um projeto que se iniciava para construção de uma fintech. Pouco mais de um ano depois, o escopo expandiu para um guarda-chuva de várias frentes de inovação, dentro da VP de Estratégia e Novos Negócios, e foi a partir daí que eu tive o meu primeiro contato com o conceito”, inicia ela.
Ao entrar nessa nova estrutura de inovação focada em negócios digitais e novos produtos, Gabriela, que sempre atuou com temas financeiros, percebeu-se cada vez mais entusiasmada ao falar sobre construção de produtos e crescimento. Sua paixão mudou, e a transição para a área de negócios aconteceu de forma natural.
“Após essa descoberta, surgiu a oportunidade de entrar para a Volkswagen, assumindo à frente de Novos Negócios e atuando de diferentes formas. Seja com inovação aberta, contratando startups, ou estabelecendo parcerias com outras empresas para desenvolver soluções e unir forças. Além da criação de produtos com as nossas próprias áreas internas para fazer a diferença”.
Em 2025, Gabriela completará 2 anos de Volkswagen. Quando chegou, a empresa estava em um processo de reestruturação da equipe, mas já impulsionava a inovação. Desde então, tem se conectado ao ecossistema de mobilidade para seguir ampliando e fortalecendo esse movimento em todas as áreas.
Ainda assim, muitos desafios surgiram ao longo do caminho. Para que algo novo seja relevante, é preciso de tempo e estratégia, e essa pode ser uma questão para muitos líderes ou gestores: como obter apoio e transformar as grandes ideias em resultados concretos?
“Como você mostra relevância para o board em termos de números, sendo que ainda não existem números? Será que é sempre preciso contar com a sorte da visão de futuro de alguns? Então esse é um desafio que exige a leitura de um cenário e o engajamento dos profissionais, especialmente aqueles diretamente impactados pelo novo projeto. É preciso falar sobre futuro, sobre carreira e estar em constante desenvolvimento. Por outro lado, o processo se torna um pouco mais fácil quando a inovação faz parte de todas as áreas da organização. E isso é muito importante!”.
Gabriela explica que, quando a inovação já faz parte da cultura da empresa, tudo fica mais fácil, pois, muitas vezes, o conceito está tão enraizado no dia a dia que as pessoas nem citam mais o termo, ele simplesmente acontece. Isso também facilita o processo de convencer outros líderes a apoiarem novas iniciativas.
“Se não houver um propósito claro, inovar perde totalmente o sentido. Já ouvi gestores dizendo: ‘Temos que fazer as coisas de um jeito diferente’. Mas, por quê? Diferente pode ser pior. Muitos resumem a inovação a fazer diferente, mas está longe de ser só isso. Além disso, os argumentos mais comuns giram em torno de ‘o mercado está mudando rápido’ ou ‘quem não inovar vai morrer em 10 anos’. Mas como convencer uma instituição sólida, com anos de experiência e diversas transformações no currículo, com esse discurso genérico? É muito mais difícil! Sem um propósito bem definido, inovar vira apenas uma mudança vazia e, isso, no fim das contas, não leva a lugar nenhum”.
No final de 2024, a Volkswagen lançou um o Nivus Conectado, e conectividade rapidamente se tornou um dos focos principais da empresa. O objetivo é oferecer um carro mais moderno, funcional e seguro, com recursos que combinam conforto e tecnologia.
Além disso, a iniciativa vai ajudar a Volkswagen a ser uma empresa ainda mais data-driven, permitindo à empresa aprimorar produtos e serviços de acordo com as necessidades dos clientes.
“O projeto já estava em andamento quando entrei, mas eu tive a chance de contribuir para o seu sucesso, e isso me enche de orgulho! O feedback dos clientes foi extremamente positivo. Sempre há uma expectativa ao lançar um novo produto, e os resultados nos surpreenderam bastante. Normalmente, os clientes entram em contato para tirar dúvidas ou relatar problemas, mas, dessa vez, muitos vieram espontaneamente elogiar. Foi ótimo ver o quanto gostaram e sentiram vontade de compartilhar feedbacks tão positivos com a gente”.
Segundo um levantamento de 2024 do Valor Negócio, com apoio da Strategy&, a Volkswagen foi eleita uma das empresas mais inovadoras do Brasil, alcançando a 38ª posição no ranking geral, entre 150 instituições. Para Gabriela, essa conquista reflete a força da cultura organizacional, fator essencial para esse reconhecimento.
“Trabalhamos fortemente a cultura da inovação aqui dentro. Pessoas do RH, do atendimento, da área de Business Transformation. Muita gente, em diferentes setores, fazem a inovação acontecer por aqui. No ano passado, por exemplo, realizamos o Mês da Inovação, com diversas palestras e workshops. Além disso, aprimoramos o nosso programa de melhoria contínua, que ganhou uma versão mais moderna e atualizada”.
Gabriela também destaca que o mindset de inovação é fortalecido por meio da educação e do incentivo para que os colaboradores participem ativamente das iniciativas. Sobre isso, ela acrescenta:
“Temos fóruns específicos onde o board se reúne para entender o que está sendo feito, apoiar e direcionar as ações. Contamos com equipes de inovação dentro da engenharia, que analisam tendências e propõem melhorias nos produtos. Além disso, envolvemos as áreas de customer experience, negócios e conectividade para validar se as soluções fazem sentido para os clientes”.
E conclui:
“Mais do que fóruns oficiais, essa conexão acontece no dia a dia, por meio de uma rede de relacionamentos. Quando queremos tirar uma ideia do papel, buscamos as pessoas certas para se unir e viabilizar o projeto. Afinal, numa empresa como a nossa, um produto só chega ao mercado porque passou por várias etapas em uma linha de produção extremamente eficiente e meticulosa. Tudo precisa estar alinhado, respeitando prazos e garantindo a sinergia entre cada nova iniciativa. Esse esforço coletivo faz toda a diferença — e no final, é recompensador.”
Para finalizar, quando questionada sobre quais conselhos daria para as empresas que desejam começar a inovar, ela responde: “Comece pelo porquê“. E explica:
“Se você não tiver um propósito claro, a inovação perde seu sentido. Sem isso, a área pode acabar sendo vista como algo secundário, ou até mesmo ser descontinuada, desperdiçando um enorme potencial. Então, comece pelo porquê. Por que criar uma área ou definir responsáveis pela inovação? Qual a real necessidade disso para o seu negócio? A partir dessas respostas, você consegue estruturar o como: qual será a estratégia, os meios, o investimento e as métricas. Mas tudo começa pelo porquê”.