Sua empresa está medindo a inovação? Saiba por onde começar!

Você já se viu em uma situação na qual precisou disputar orçamento com outras áreas da empresa e saiu “perdendo”? Se você se identifica com isso, talvez você precise olhar com mais atenção para as métricas de inovação que você está utilizando.


As métricas precisam estar aderentes à estratégia da empresa e mostrar a real dimensão de como as iniciativas de inovação estão auxiliando a empresa a atingir seus objetivos.

Quer saber por onde começar? Acompanhe o texto a seguir.

Por que medir inovação?

Pense rapidamente: como você define inovação? Provavelmente você titubeou para chegar a uma definição. Ou ficou entre duas ou mais definições baseadas em autores conhecidos, como Clayton Christensen, IDEO, dentre outros. 

Se chegar a uma definição é desafiador, então medir inovação é ainda mais difícil. Por se tratar de um fenômeno complexo, o esforço de mensuração deve ser contínuo e por meio de diversos indicadores.

Por esta razão, o tema é cada vez mais relevante no Brasil e no mundo. Um grande exemplo é o livro “Complexidade Econômica”, do economista Paulo Gala, que trata essencialmente da complexidade como medida da quantidade de capacidade e know-how presente na produção de qualquer produto ou serviço. 

Como observa o economista Antônio Delfim Netto no prefácio do livro, os esforços das pessoas no desenvolvimento de novas tecnologias ao longo do tempo têm a finalidade de economizar trabalho e, com isso, permitir maior satisfação material juntamente com a possibilidade de maior descanso. 

No contexto corporativo, inovamos para aproveitar melhor nossos recursos e para estabelecer mais conexões que ampliam nossa capacidade produtiva e know-how.

Em outras palavras, medir a inovação nos permite entender quais setores ou empresas estão trilhando esse caminho e, desse modo, entendemos a dinâmica associada a este processo de aumento da complexidade. 

Portanto, do ponto de vista das empresas, medir a inovação nos permite compreender as conexões, impactos e resultados, de modo a construir um conjunto de ações estratégicas que efetivamente as conduza rumo a uma transformação surpreendente.

O que medir?

Superado o “porquê”, vamos entender “o quê”. 

As métricas para mensurar a inovação de uma empresa podem variar a depender do setor, da estratégia, do país em que a companhia está instalada, do grau de maturidade dos processos de inovação, etc.

Mas, independente de suas diferenças, precisamos olhar para dois grupos de indicadores: drivers e outcomes

O primeiro grupo de indicadores, os direcionadores (drivers), ajudam a medir os impactos de determinadas ações enquanto elas ainda estão acontecendo. Em outras palavras, são muito úteis para afinar a rota de processos e atividades antes que o deadline bata à porta.

Alguns exemplos de drivers são: número de horas-pessoa envolvidas no projeto por cada etapa, taxa de atraso de cronograma, número de ideias por etapa, dentre outros.

O segundo grupo, os resultados (outcomes), nos ajudarão a entender o resultado final de cada ação empreendida pelas pessoas, departamentos e empresas. Dessa forma, as iniciativas de inovação podem ter seus efeitos práticos mensurados de forma a permitir que se avalie o retorno para a empresa.

No que diz respeito aos outcomes, podemos considerar: número de projetos de inovação bem sucedidos, valor médio de horas economizadas com a implantação de um projeto, dentre outros.

Esses grupos são relevantes para mensurar quaisquer iniciativas de inovação, sejam elas relacionadas à cultura de inovação, intraempreendedorismo, inovação aberta, pesquisa e desenvolvimento ou outras iniciativas.

Um rápido exemplo: Adobe Kickbox

Se você chegou até aqui e percebeu que inovar é ainda mais desafiador do que você imaginava antes, você compartilha a dor de milhares de gestores de inovação. Normalmente, quanto maior uma organização, mais difícil é inovar e, sob essa perspectiva, acompanhar de modo preciso drivers e outcomes é peça-chave para uma bem sucedida estratégia de inovação. 

Mas o ex-vice-presidente de criatividade da Adobe e atual diretor executivo da Kickbox, Mark Randall, simplificou esse fenômeno. A partir da percepção de que se gastava muito em seus projetos de intraempreendedorismo com um retorno muito baixo em número de projetos que saíam da fase de protótipo para a fase de execução, Randall assumiu a missão de criar um método que pudesse ensinar outras pessoas a inovar, que guiasse de maneira clara e simples as pessoas pela jornada da inovação e otimizasse os recursos disponíveis. 

Antes de conceber a Adobe Kickbox (veja mais detalhes aqui), a empresa rodava cerca de 2 dúzias de projetos de intraempreendedorismo por ano. Esses projetos levavam um ano inteiro para passar da fase de ideação para a fase de mock-up (protótipo de baixa fidelidade). 

Mas desde o lançamento da Kickbox, em 2013, a Adobe viu cerca de 1.200 ideias chegarem à fase de mock-up, todas a um custo total mais baixo do que o método anterior.

Portanto,  foi essencial para o sucesso da Kickbox a clareza de quais indicadores acompanhar para, assim, aperfeiçoar o método. Como disse o Gato Cheshire, em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” Em outras palavras, se você não sabe o que medir, qualquer resultado serve.De modo objetivo, no caso da Kickbox, havia grande preocupação com o retorno do investimento (ROI), uma vez que os recursos investidos geravam um número baixo de protótipos que, por sua vez, eram outro indicador importante – ambos os indicadores como outcomes relevantes. Somado a isso, Randall também esteve atento ao número de protótipos que se tornavam projetos – aqui um driver importante que o auxiliou a ajustar a rota.

Quais perguntas podem te ajudar a medir inovação?

A inovação é essencialmente um fenômeno de longo prazo, portanto, um assunto estratégico para a maior parte das empresas. Por isso, existem muitas métricas, como e perspectivas, como a do MIT, da OECD, ou até maneiras mais tradicionais, como via balanced scorecard

Claro que nem todas as empresas são uma Adobe com um grande orçamento e que podem distribuir cartões de mil dólares para os funcionários. Mas nós trabalhamos com inovação, certo? Então, guiar para o impossível deve fazer parte do nosso DNA.

Assim, o ponto de partida é compreender como a estratégia de inovação se relaciona com a estratégia global da companhia. Sem essa conexão, as ações de inovação podem ter um resultado interessante, mas que não está conectado com as necessidades ou oportunidades da companhia.

Em seguida, precisamos compreender como a inovação pode contribuir para o atingimento da estratégia da companhia. Aqui, podemos analisar cinco grandes perspectivas, quais sejam, produtividade, inputs, processo, resultados e impactos.

Para conseguir definir os indicadores que vamos mensurar, precisamos fazer algumas perguntas, como:

O quão eficientes são nossas ações de inovação?

Quais os resultados alcançados por nossas ações?

Como estamos inovando? Em quanto tempo?

Quais tipos de recursos estão sendo investidos? Qual o volume de recursos (horas, dinheiro etc.)?

Qual o impacto gerado pelas inovações sobre os stakeholders?

Estas são perguntas norteadoras que podem auxiliar na construção das métricas mais adequadas para a sua empresa, de acordo com o nível de maturidade da sua companhia. 

Como você tem medido inovação? Há algum case como o da Kickbox na sua empresa?  Compartilha com a gente!